Cantora, Historiadora, Jornalista, Radialista e Apresentadora do programa "NOS QUADRANTES DO SUL" e um "pitaco" às quintas-feiras no "SET GUAÍBA", aos sábados no GUAÍBA FIM DE SEMANA e domingos no DOMINGÃO GUAÍBA, com o "CHASQUE DA MALU" na RÁDIO GUAIBA de Porto Alegre-RS - www.radioguaiba.com.br
Apresentadora do programa MATEADAS da TV ASSEMBLÉIA DO RGS
quinta-feira, 11 de abril de 2013
HOMENAGEM AO PAPA FRANCISCO
ESTÂNCIA DA SANTA CRUZ (Eron Vaz Matos)
A Estância da Santa Cruz Já tem novo capataz É o seu Chico americano Campeiraço por demás Desses que fecha um rodeio Sem deixar nada pra trás.
Seu Chico tem seu estilo Homem simples de galpão Uma boenita na nuca E um bitango de algodão Muita nobreza na alma E a pampa no coração.
Riso de aurora no rosto Olhar de alcançar distâncias Conhece o vigor dos campos Ao olfatear as fragrâncias Pois se criou nesse meio Pelos galpões das estâncias.
Ainda não recorreu A estância é grande demais Deu uma olhada por cima No banheiro, nos currais Courama mal estaqueada Mas bom charque nos varais.
Já viu que da cachorrada Pouco ou nada se aproveita Vivem rodeando o fogão Cuscada que não respeita Roendo sovéus e laços Que só um trançado ajeita.
Guaxos por dentro de casa Gatos por todos os lados E ratazana domina Faz ninho até nos telhados Eu acho que a cozinheira Traz os gatos muy mimados.
Fios de arame rebentados Na cerca do parapeito Vacas do leite delgadas Terneiros do mesmo jeito Nuns potreirinhos rapados Com pasto muy rarefeito.
A cavalhada da encilha Toda matada e velhaca A peonada muy pachola Tirador, espora e faca Porém na hora precisa Não sabem “garreá” uma vaca.
Ninguém esquila um consumo Nem corta lenha pra o gasto As vassouras mal atadas Parece que andam de arrasto Onde cruzam de tão lerdos Capaz que matem o pasto.
A peonada apreensiva Esperando o que virá Novas ordens, novos tempos O capataz ditará Parece muy bueno el hombre Mas o tempo é que dirá.
Gado de todos os pelos Muy desparelho e groteiro Pretos, oscos e fumaças Brasinos, baios, oveiros Tourada do mesmo pelo Tudo o que é macho é inteiro.
Disse um posteiro antigo Conhecedor do riscado Que existe sorro em matilha Campo afora e nos banhados Mas não tem um galgo bueno Que pegue algum desgarrado.
Ovelha existe aos milhões Cola inteira e sem sinal Carneiros de aspas torcidas Boca cheia por igual Também do mesmo rebanho Essa é a verdade atual.
A pipa de “arrastá” água Com cabeçalho quebrado A água vem de galeota Quando o petiço é boleado Como não tem mais piquete O pipeiro anda alçado.
Os arames estão no chão O mato fechou picadas O abigeato campeia Em todas as invernadas Ninguém sabe a conta certa De rês morta ou extraviada.
A bicheira tomou conta Por culpa do carrapato E o creolin que se usava Foi proibido de fato É o bem estar animal É preciso melhor trato.
Nessa estância em outro tempo Havia muita fartura Na horta, feijão e “abobra” Milho, mandioca e verdura Mas os burrinhos bateram Mermando a agricultura.
Pastores é o que não falta Para cobrir a manada Já, de sangue, caborteiros Que imprimem na potrilhada O que não sai boleador Tem a cabeça pesada.
Eu levo fé no seu Chico Por experiente e campeiro Aos poucos irá arrumando Gados, tropilhas, potreiros Mas terá que despeonar Muito peão e alguns posteiros.
Contratar alambradores Caseiros e açudeiros O gado anda com sede E morre nos atoleiros Na busca de água limpa Que já não há nos potreiros.
Buscar novos domadores Gente campeira de fato Consertar a pipa d`água Comprar veneno pra rato Criar galgos e ovelheiros Pra “tirá” o gado do mato.
Um guasqueiro de respeito Pra consertar os aperos Fazer laços, maneadores Anilhos, sovéus, tamoeiros Buçais e cabrestos fortes Para os serviços domeiros.
O demais vai se ajeitando Conversando co’a peonada Exigindo xergões limpos Cavalhada bem tosada E os cascos bem aparados Pra diminuir as rodadas.
Refugar vacas machorras Em criterioso aparte Falhadas de ventre e dente Nisso não tem muita arte Touritos que são novilhas Colocar tudo em descarte.
É um trabalho persistente Fazer um gado padrão Com seleção permanente E muita dedicação Bom manejo nos potreiros E rédeas firmes na mão.
“Desmamá” na hora certa E cuidar bem do rebanho Retirando a lã dos olhos Com isso tem-se bom ganho Não morrerão nos peraus Dando um prejuízo tamanho.
Tirar os gados dos matos Leva-lo de encontro à luz Já que o sol nasce pra todos E a um bom destino conduz Assim Jesus salvará A Estância da Santa Cruz.
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