quinta-feira, 24 de junho de 2010

NICO FAGUNDES SOBRE MARIA LUIZA BENITEZ

28 de janeiro de 2008

N° 15493AlertaVoltar para a edição de hojeNico FagundesMaria Luiza Benitez, a nossa Mercedes

Ela é grande, tem um sorriso inconfundível, está sempre de bom humor e tem uma voz que, mesmo sem cantar, é musical e maviosa. É uma grande locutora, com muitos anos de rádio e uma bela apresentadora de festivais. Ser apresentado no palco por Maria Luiza Benitez, a Malu, é o primeiro prêmio que o cantor ganha em qualquer festival.



Ela nasceu em Bagé e seu pai era músico. Havia, aliás, muitos músicos na família, sobretudo no lado Benitez, castelhano. Sim, porque a Malu tem sangue também uruguaio, argentino e paraguaio, imaginem só. A guriazinha Malu era o diabo em pessoa! Infernizava a vida de todo mundo. Não por acaso foi expulsa do colégio em Bagé e mandada para o caro Colégio Centenário, de religião metodista, em Santa Maria. Pois num dia de culto a Malu se vestiu de diabo e apareceu no altar diante das religiosas e das outras alunas, fazendo careta, dando gritos e rebolando um garfo. Quer dizer: foi expulsa de novo.



Mas cantora ela já era. Primeiro, no coro colegial. Depois, como solista, interpretando o sucesso da época. Adolescente, era especialista no repertório do Teixeirinha, disputando, aliás, muitas vezes, os aplausos do público, com outra adolescente bonita de Bagé - Mary Terezinha...



Muito cedo ainda a Malu entrou para o rádio bageense. O rádio e os bochinchos vão interromper os seus estudos quando ela, aos trancos e barrancos, já cursava o terceiro ano da Faculdade de Direito. Mudando-se para Porto Alegre, com a cara (linda) e a coragem, (muita) desembarcou na rodoviária e se tocou para a Rádio Gaúcha, onde o Celso Ferreira, encantado com sua voz, deu-lhe contrato para trabalhar como locutora. Logo a Malu passará para a Rádio Guaíba, onde fez fama e amizades, conquistando o respeito de todos. Depois passa pela Rádio Difusora e pela TV Educativa, onde fazia dupla de apresentadores com o inesquecível Darcy Fagundes. Aí vieram os festivais, e a Malu venceu vários como cantora, intérprete sempre procurada pelos compositores concorrentes. Ela é muito cuidadosa na escolha dos músicos que a acompanham. E tem que ser, porque ela exige muito dos seus companheiros. Como ela gosta de cantar música nativista e latino americana , os músicos da sua banda tem que ter grande versatilidade. Ela já gravou quatro discos e está preparando o repertório para um quinto, onde vai explorar as nossas origens ameríndias em português e em castelhano.



Aqui em Porto Alegre, ela casou com Julio, um gaúcho com sangue negro, e o casal tem um filho, o Julinho, que saiu gaudério como a mãe: agora mesmo está indo para a Europa.



Por curioso que pareça, a Maria Luiza Benitez é uma pessoa profundamente mística. Dizem os espiritualistas que ela é dotada de grande mediunidade, qualidade essencial que ela vem desenvolvendo muito nos últimos anos. No seu aprazível sítio, aqui em Itapuã, onde está o seu cavalo e os seus objetos de culto, ela recebe visitas e dá consultas espirituais. Verdadeira Shaman, pesquisadora das influências indígenas na formação americana do desenvolvimento espiritual do nosso povo, ela domina o Reike e adora fazer o bem, de semear paz, que é a sua grande bandeira. Mas não peçam para a Malu se meter em desavenças amorosas, porque ela acha que não é essa a sua missão.



Maria Luiza Benitez é a nossa Mercedes Sosa, cantora e pessoa humana que ela admira por demais.



E eu acho que ela vai continuar assim, semeando paz com o seu talento de cantora e com a sua espiritualidade. Eu sempre lhe peço a benção a cada encontro nosso. E isso me faz um bem enorme: "A bênção, Shaman!".